Quando Deus Entra no Campo
"E dirão: Esta terra que estava assolada tornou-se como o jardim do Éden; e as cidades que estavam em ruínas, e assoladas, e destruídas, agora estão fortificadas e habitadas."
Contexto
Deus promete restaurar Israel de uma forma tão visível que os próprios povos ao redor reconheceriam a transformação. A terra assolada se tornaria como o Éden. O que era desolação viraria referência de vida. Quando Deus entra em um campo que parecia irrecuperável, o resultado não é apenas recuperação, mas transformação que aponta para a Sua glória e não para o mérito humano.
Há campos que o lavrador humano olha e desiste. Solos que foram tão degradados, tão erodidos, tão empobrecidos que a recuperação parece impossível ao olho treinado. Florestas queimadas, terras salgadas pelo excesso de irrigação mal gerenciada, áreas abandonadas por décadas que foram tomadas por ervas daninhas e compactadas pela falta de cuidado. O olho humano vê ruína. E com base em toda a experiência disponível, declara: aqui não crescerá nada de valor. A conclusão parece razoável.
Mas há outra perspectiva. A perspectiva dAquele que criou a terra do nada, que fez brotar vegetação antes mesmo de haver semente, que pode falar ao campo estéril e ordenar que ele produza vida onde não havia condição alguma para tanto. Quando Deus entra em um campo, as categorias humanas de possível e impossível são redefinidas. O que estava assolado torna-se Éden. Não metaforicamente. Literalmente. Os povos ao redor olham e reconhecem que aquilo não é resultado de técnica agrícola melhorada, mas de intervenção divina sem precedente.
A vida cristã tem momentos assim. Há áreas em nós que estavam assoladas por diferentes razões e por diferentes períodos. Relacionamentos destruídos que pareciam além do conserto. Áreas de caráter erodidas por anos de escolhas erradas acumuladas. Zonas emocionais devastadas por perdas ou traições profundas. Campos vocacionais que pareciam promissores e foram reduzidos a ruínas por circunstâncias que não pudemos controlar. E há uma tentação real de olhar para essas ruínas e dizer: aqui não vale mais a pena investir. O dano foi grande demais para reversão.
A promessa de Ezequiel 36 não fala de recuperação parcial, de um campo que volta a ser funcional mas carrega marcas permanentes da destruição. Fala de restauração que supera o estado original. A referência é o jardim do Éden, que é o símbolo da criação em sua plenitude original e perfeita. Deus não está apenas consertando. Está recriando. E o testemunho que essa recriação produz é tão poderoso que os que estavam de fora, os que viram a destruição, reconhecem que aquilo não poderia ter vindo de esforço humano algum.
Quando você convida Deus para entrar em um campo que parecia perdido na sua vida, a história muda. Não porque você resolveu o problema por meio de alguma técnica ou esforço especial, mas porque um poder maior do que o problema entrou em cena com autoridade sobre o que parecia definitivo. O fruto que emerge de um campo restaurado por Deus tem um testemunho diferente de qualquer outro fruto. Ele não conta apenas sobre colheita bem-sucedida. Ele conta sobre ressurreição.
Há algum campo na sua vida que você declarou irrecuperável? Alguma área que você parou de cuidar porque a destruição parecia definitiva e irreversível? Traga Deus para esse campo hoje. Permita que Ele olhe para o que você olha e declara perdido. A terra assolada pode virar Éden. Não por você, mas por Ele, que é especialista em restaurar o que parecia além do alcance de qualquer cuidado humano. Convide-o para o campo mais difícil da sua vida. A intervenção divina não espera que você resolva o problema primeiro. Ela entra na ruína e trabalha a partir dela. O campo restaurado por Deus não apaga a história da destruição. Ele a transforma em parte do testemunho da restauração que veio.